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Jornal iTEIA

17.10.2011 - 16h52

OS CIGANOS E A INTOLERÂNCIA

A luta contra o preconceito

Mio Vacite

ampliar Nara Varela
Mio Vacite

É evidente uma união entre o racismo e a intolerância religiosa pois durante muito tempo se acreditou que nós ciganos servíamos apenas para atividades de entretenimento como músicos, cantores e dançarinos, mas não para atividades intelectuais. No campo religioso, a intolerância passa a idéia de que entre os ciganos não existe conhecimento, saberes, cultura, mas somente hábitos, práticas e libertinagem. Isto é, não haveria inteligência nem cultura nas comunidades ciganas. Mais uma vez o racismo se aplica com a idéia de que ciganos não têm inteligência e não gostam de trabalhar, logo são obrigados a roubar e enganar para poderem sobreviver. Não há como nos defender da intolerância se não aprendermos a nos defender das armadilhas da linguagem. Nossos oráculos são totalmente desacreditados, desrespeitados e encarados como uma espécie de balcão de atendimento para quem chega com um punhado de moedas. Quem conhece a dignidade, a integridade de nossos costumes e tradições, de como somos criados em uma sociedade diferente, mas com leis e normas que acreditam que a crença existe para fortalecer a comunidade, promover a paz, o bem estar e a felicidade; quem, enfim, acredita na grandiosidade de nossos antepassados, não pode concordar com a idéia de transformar nossa tradição em atitudes de sobrevivência barata. Por isso, lutar contra a intolerância religiosa exige um olhar diferenciado sobre as verdadeiras tradições de cada ser vivente, e o respeito mútuo a cada tradição.
Temos passado momentos difíceis na comunidade. Vemos que o povo de religiões de matriz africana têm uma maior disposição para ir às ruas e denunciar. Pois o povo cigano não é um povo guerreiro, não aprendemos a guerriar e sim aceitar e superar. Nós nos adequamos as leis do Pais em que vivemos e praticamos a aceitação dos acontecimentos superando nossas aflições. Só lutamos até hoje por nossa sobrevivência ocultando, muitas vezes, nossas tradições.
Em 2008 fomos convidados pela Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR) para participarmos da I Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa onde reavivamos nossa chama de esperança na Luta Contra a Intolerância sobre nossas tradições. Logo depois elaboraram o Guia da Luta Contra a Intolerância Religiosa e o Racismo com a finalidade de orientar a Sociedade Civil diante de um caso de intolerância religiosa. E dentro de várias batalhas vencidas houve a construção do primeiro Núcleo de combate à Intolerância Religiosa da Polícia Civil do Estado. Todas essas vitórias durante esses anos, não só nos deu ânimo para enfrentar nossas adversidades como também nos ajudaram a entender e conhecer nossos verdadeiros direitos e aprender como lutar por eles em uníssono. As Caminhadas foram de suma importância nessa luta pois as manifestações públicas que exigem respeito aos rituais sagrados e à indumentária religiosa, são uma forma de se chamar a atenção das autoridades para a gravidade das agressões sofridas. Esse desrespeito está em todos os lugares, nas tevês, rádios e, principalmente, em nosso cotidiano. Conhecer os direitos e saber o que é possível fazer em termos legais para assegurar a livre manifestação religiosa é fundamental. Sem o conhecimento de nossa força, essência e nossa tradição, não conhecemos o que nos é mais sagrado, que é nossa história. Isso nos fortalece.
Hoje já concluída a IV Caminhada promovida pelo CCIR, essas políticas têm o embasamento legal para acontecer. O Governo agora encontrou legislação e não só mais uma demanda de comunidades. Agora é política pública a valorização das tradições que formaram a história de nosso país. Só assim conseguimos fazer valer o artigo XVII da Declaração Universal do Direitos Humanos que diz que “Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular” e a Constituição Federal, cujo propósito é a criação de uma sociedade justa, igualitária e sem discriminação, destacou em seu Artigo 5º que “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”.
A partir daí nos faremos tudo que pudermos para recordar ao povo que somos uma nação unida sob o nome de Deus e que podemos chamar esse Deus por diferentes nomes, mas que permaneceremos uma única nação.

Publicado por: UNIÃO CIGANA DO BRASIL em 17.10.2011 às 17h30
Tags: dança cigana gipsy dance romane
Canais: Políticas públicas

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