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Jornal iTEIA

17.10.2011 - 16h27

CIGANOS

Um povo ainda incompreendido

Mio Vacite

ampliar Nara Varela
Mio Vacite

Não é fácil retornar no tempo e no espaço, tentando encontrar respostas a tantas indagações e divergências, mas não podemos negar que os ciganos sempre foram e ainda são vítimas de preconceitos, discriminações e perseguições. Na Europa, apesar das discriminações, a cultura cigana é mantida, pois há uma verdadeira união entre esses ciganos, motivando assim a preservação de suas tradições e crenças. São essas tradições que caracterizam a Nação cigana, que é uma só, mesmo encontrando-se espalhada pelo mundo. Um dos elos dessa união é sua antiga língua, o Romani, que permite que ciganos do mundo inteiro se entendam mutuamente ultrapassando quaisquer fronteira.
Infelizmente no Brasil, os ciganos são vistos como mais uma “onda” do esoterismo, entrando e saindo de moda de acordo com o momento. Vez ou outra observamos “gadjes” (não ciganos) numa busca frenética por festas e objetos ciganos. Isso é louvável, mas em alguns casos se torna profano, como a falta de reverência adequada com que as sagradas fogueiras ciganas devem ser acesas ou mesmo o desleixo com seus oráculos. Essa busca pela cultura cigana, paradoxalmente, muitas vezes discrimina os próprios ciganos ou acaba por tomar seu espaço, caracterizando uma pilhagem e a tomada de posse indevida da identidade cultural alheia, e o que é pior, sem seriedade ou respeito algum.
É óbvio que apesar de tanta discriminação a cultura cigana exerce um fascínio sobre os não ciganos. Temos nossas leis e regras sociais próprias, mas isso não nos impede de sermos um povo livre. Não criamos raízes e ficamos plantados como uma árvore no solo. Estamos sempre em busca de novos horizontes. Talvez seja esse sentimento de liberdade que os não ciganos sintam falta e busquem, inconscientemente, suprir esta lacuna aproximando-se de nossa cultura.
O escopo da União Cigana do Brasil é justamente este. Mas esta aproximação com os não ciganos, em alguns casos, vem se tornando uma ameaça para nós ciganos. Tenho observado ao longo desses anos que cresceu o número de admiradores à nossa cultura. Foi este o objetivo da União Cigana do Brasil desde o início de sua caminhada. Mas por outro lado alguns admiradores de nossa cultura não percebem que deve haver uma linha que separa a autenticidade do imaginário e que cabem aos de origem representarem sua cultura quando é necessário. Através da União Cigana do Brasil foi criado o grupo “Mio Vacite e o Encanto cigano” com o objetivo único de divulgar a música, o canto e a dança cigana. Faço aqui uma observação para os grupos simpatizantes de nossa cultura da responsabilidade que assumem ao representarem como ciganos nossa etnia.
No dia 7 de Setembro de 1995, foi feito um discurso em comemoração aos 173 anos de história de luta pela liberdade contra a discriminação. Nesse discurso foi discutido tudo sobre nossa sociedade plurirracial com suas tradições culturais distintas e sobre a necessidade de se aprovar o projeto de 1994 de reformulação do conselho de Defesa do direitos da Pessoa Humana, de reconstruir o Brasil com base no amor da pessoa humana, no respeito ao direito do homem, restabelecendo as condições de convivências e renovando o compromisso de cada um na luta pelos direitos humanos.
No dia 10 de Dezembro é o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e, em 8 de Setembro de 1995, foi instituído o Prêmio de direitos Humanos, a ser atribuído, anualmente, àqueles que tenham se distinguido na luta por tais direitos. Na portunidade, fomos indicados pelo então Ministro de Justiça, Dr. Nelson Jobin, que manifestou seu apoio e o do Governo Federal através de uma carta endereçada à nossa instituição, pelos relevantes serviços prestados e dedicados à comunidade cigana.
A União Cigana do Brasil, considerando e reconhecendo a significativa seriedade e o papel ativo do Governo Brasileiro em relação ao ideal perseguido por todos os povos e todas as nações, nesta oportunidade, consignou o seu apoio, como Organização não Governamental voltada para os direitos humanos da etnia.
Na verdade sentimos que demos mil passos, mas no final que foi apenas um pela falta de crença que temos no poder do Estado em nos assegurar em nossos direitos.

Publicado por: UNIÃO CIGANA DO BRASIL em 17.10.2011 às 16h11
Tags: dança cigana gipsy dance romane
Canais: Políticas públicas

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